sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

POR UM TEXTO MELHOR (Chico Viana)


       Visualmente o número de pessoas aderentes da legalização da maconha é imenso.” (Redação de aluno)

      Sem rigor no uso das palavras, não se produz um bom texto. A passagem acima confirma isso; tanto o advérbio “visualmente” quanto o adjetivo “aderentes” não estão bem empregados.
        Deve ter passado pela cabeça do aluno a ideia de que é visível, notório, o número de pessoas que pregam a legalização da maconha, mas não foi isso que ele transmitiu. Teria sido mais claro, se escrevesse:
  

     “Visivelmente o número de pessoas adeptas da legalização da maconha é imenso.”


Chico Viana é professor de português e redação em João Pessoa.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

O INCRÍVEL ATELIER DE MÁSCARAS VENEZIANAS DE SÃO FRANCISCO XAVIER
Nenhum lugar melhor no mundo para se disfarçar do que a cidade dos canais: Veneza. Máscaras de todas as formas, cores e tamanhos tomam conta de cada esquina, mantendo uma tradição de mais de mil anos, que é quando se tem notícia dos festejos dos primeiros carnavais. Não faltam opções de alegorias de arlequins, colombinas, pierrots e pantaleões – os célebres personagens da Commedia dell’Arte –, porém um detalhe chama a atenção nessa abundância toda: 99% dos artigos disponíveis contam com a discreta inscrição ‘Made in China’.

A breve anedota – mais uma das tantas relacionadas ao processo que dizem por aí que se chama globalização – contada logo no início da nossa visita ao Atelier de las Máscaras por Carlos Alberto Gaudin, argentino radicado no Brasil há 40 anos, mostra o quão valioso é o trabalho que se desenvolve ali. O atelier, localizado a cerca de 20 quilômetros do centro da cidade de São Francisco Xavier, em São Paulo, é o único das Américas especializado na técnica de cartapesta para a produção de máscaras, um processo de empapelamento complexo capaz de gerar artigos exclusivos com a qualidade que remonta a dos maschereri de outrora.

Das suas mãos saem hoje, além dos personagens clássicos da Commedia dell’Arte, o famoso gatto veneziano, a máscara do Fantasma da Ópera, a bauta, que aparece no filme “De Olhos Bem Fechados”, de Stanley Kubrick, e até mesmo a mítica máscara de Guy Fawkes, símbolo dos manifestantes do grupo Anonymous. Curioso ouvir da boca de Gaudin a história de cada uma das peças que ele produz ali e provar as máscaras, posar para fotos e, literalmente, viajar no tempo.

Mais curioso ainda ver ali, no meio de uma estrada de terra sinuosa cercada de mato de todos os lados, o símbolo da resistência de uma arte por si só tão ligada ao mistério, à sedução e ao ato de se esconder. Assim de pertinho, soa bastante revelador, não acha?

Saiba mais: http://www.atelierdelasmascaras.com.br/


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

"Se é bom ou se é mau..." (Rubem Alves)

Quero contar para vocês a estória que mais tenho contado - não aconteceu nunca, acontece sempre. 
Um homem muito rico, ao morrer, deixou suas terras para os seus filhos. Todos eles receberam terras férteis e belas, com a exceção do mais novo, para quem sobrou um charco inútil para a agricultura. Seus amigos se entristeceram com isso e o visitaram, lamentando a injustiça que lhe havia sido feita. Mas ele só lhes disse uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." No ano seguinte, uma seca terrível se abateu sobre o país, e as terras dos seus irmãos foram devastadas: as fontes secaram, os pastos ficaram esturricados, o gado morreu. Mas o charco do irmão mais novo se transformou num oásis fértil e belo. Ele ficou rico e comprou um lindo cavalo branco por um preço altíssimo. Seus amigos organizaram uma festa porque coisa tão maravilhosa lhe tinha acontecido. Mas dele só ouviram uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." 
No dia seguinte seu cavalo de raça fugiu e foi grande a tristeza. Seus amigos vieram e lamentaram o acontecido. Mas o que o homem lhes disse foi: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." Passados sete dias o cavalo voltou trazendo consigo dez lindos cavalos selvagens. Vieram os amigos para celebrar esta nova riqueza, mas o que ouviram foram as palavras de sempre: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá." 
No dia seguinte o seu filho, sem juízo, montou um cavalo selvagem. O cavalo corcoveou e o lançou longe. O moço quebrou uma perna. Voltaram os amigos para lamentar a desgraça. "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá", o pai repetiu. 
Passados poucos dias vieram os soldados do rei para levar os jovens para a guerra. Todos os moços tiveram de partir, menos o seu filho de perna quebrada. Os amigos se alegraram e vieram festejar. O pai viu tudo e só disse uma coisa: "Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá...”


Assim termina a estória, sem um fim, com reticências... Ela poderá ser continuada, indefinidamente. E ao contá-la é como se contasse a estória de minha vida. Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco. Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja uma condenação final. As vitórias se desfazem como castelos de areia atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes. "Se é bom ou se é mau, sé o futuro dirá."

(Saudades)

Frejat - Amor Pra Recomeçar (Acústico)

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Feira de Ciências

A feira de ciências é um evento que visa incentivar a produção científica, oportunizando a apresentação de pesquisas através de projetos e experimentos. Promove também o desenvolvimento da criatividade, da capacidade inventiva e investigativa nos alunos. Só conseguimos aprender verdadeiramente quando colocamos em prática os conhecimentos adquiridos.