quinta-feira, 2 de outubro de 2014
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
A XACINA DO TESTO - Roberto Pompeu de Toledo (publicado na VEJA)
Apezar
da xuva, muita jente esteve prezente ao ezersisio de jinastica qe teve lugar no
colejio. Omens, mulheres e criansas no fim cantaram o Ino Nasional. Ouve pesoas
qe ate xoraram de emosão cuando a festa terminou. Oje qem qiser pode asistir a
nova aprezentasão.
A
impressão é de escombros do que foi outrora a língua portuguesa em sua
forma escrita. Como se tivesse sido atingida por uma bomba e alguns destroços
irreconhecíveis houvessem sido resgatados da hecatombe. A comparação não
é absurda. Tem o efeito de uma bomba a radical reforma ortográfica
defendida pelo site Simplificando a Ortografia
(simplificandoaortografia.com), criado pelo professor de português Ernani
Pimentel. Sua proposta é acabar com letras que não se pronunciam, como o
“H” no início de certas palavras e o “U” que se segue ao “Q” em “quintal” e
“querido”, assim como a duplicidade de representação do mesmo som em “S” e “Z”,
“SS” e “Ç” ou “G” e “J”.
Não
é uma proposta inovadora. Para citar uma das que já se apresentaram com
espírito semelhante no passado, o general Bertoldo Klinger, figura preeminente
da Era Vargas, não só formulou a sua como a praticou – ele grafava seus textos
segundo as regras que inventou. O general (aliás, jeneral) Klinger, em quem o
reformador da língua escrita se misturava ao reformador do povo brasileiro,
explicava: “Ortografia é lojica. Lojica é ordem. Sem ordem não a
nasão. Logo, não a nasão sem ortografia lojica”.
Leia na íntegra http://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/opiniao-2/a-xacina-do-testo-de-roberto-pompeu-de-toledo
terça-feira, 30 de setembro de 2014
A poesia na ditadura militar - Poesia marginal
A poesia marginal recebeu este nome porque poetas abandonaram os meios tradicionais de circulação de suas obras (livros, revistas e jornais) e buscaram meios alternativos, divulgando suas obras por meio de cópias mimeografadas, vendidas de mão em mão, a baixo custo, nas ruas, praças e universidades. *Mimeógrafo era uma "máquina primitiva" e poderosa. Com ele, sonhava-se a revolução. Nele, imprimiam-se panfletos que pretendiam mudar o mundo. Acreditava-se na possibilidade de indignação dos que ainda não sabiam dos fatos que estavam ocorrendo. Toda uma geração de poetas se editou e correu noites pelos bares divulgando o seu trabalho. Foi o modo encontrado para aqueles que queriam se expressar em pleno regime de ditadura militar. Era a voz do gueto. Geração mimeógrafo: poesia alternativa, atitude do poeta como parte da poesia.
Heloísa Buarque de Hollanda publicou o livro “26 Poetas Hoje”, reunindo poemas de 26 poetas da geração mimeógrafo, verdadeira antologia da poesia marginal.
*O
mimeógrafo, para quem nunca ouviu falar disso, funcionava assim: o papel era
colocado de um lado, girava-se a manivela para girar o cilindro do meio no qual
estava enrolada a matriz, que passava por uma espécie de esponja embebida em
álcool. O papel saía do outro lado, impresso em letras roxas borradas, dependendo
da quantidade de álcool que fora colocado.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
CINEMA - A vasta produção cinematográfica sobre a ditadura permite conhecer e debater diferentes narrativas sobre o período.
Uma conspiração internacional liderada pelos Estados Unidos.
Mensagens cifradas, tortura, assassinatos. Gritos. Sussurros. Medo. A história
da ditadura civil-militar no Brasil (1964-1985) é povoada por elementos que
renderiam um filme. Esse período não ficou imune ao registro crítico, e rendeu
não apenas um, mas muitos filmes.
São dramas históricos, documentários, romances e até filmes
infantis realizados desde o regime de exceção até hoje.
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Como não se deixar contaminar pelas falácias do período eleitoral
01-
O
estilo Odorico: Suspeite do conjunto de expressões destinado
a reduzir o impacto das palavras, como se isso diminuísse o impacto da
realidade adversa, como por exemplo: a necessidade de “realinhamento de tarifas
públicas” em lugar de “aumento de energia e gasolina”, “estiagem histórica” ou
“crise de mananciais” em lugar do impopular “racionamento”.
02-
Vazio comunicativo:
Construções de frases com que todos concordam, mas nada especificam, como por
exemplo, “A cidade precisa de saúde”, “o futuro depende da educação”, padecem
de detalhes que as transformem numa proposta concreta. Tais generalidades são
úteis a candidatos porque compromissos explícitos assumidos podem ter um preço
alto a pagar durante o mandato.
03-
Criar reservas mentais: Não
implicação lógica entre premissas e conclusão: o que é concluído pode ser
verdadeiro, mas não pelos motivos alegados. Dificilmente alguém discordaria da
resposta.
04-
Distorção deliberada: Distorcer
ou atribuir ao oponente um ponto de vista falso sobre uma questão é uma falácia
que só se combate com pesquisa por parte do eleitorado, o que raramente ocorre.
Em 1945, o presidenciável Eduardo Gomes, brigadeiro, declarou que não queria os
votos da ”malta de desocupados que frequentava os comícios de Getúlio Vargas” Seus
oponentes retiraram a palavra “malta” (bando) do contexto e espalharam que o
brigadeiro se referia aos “operários que levam suas marmitas pelas linhas
férreas”, os marmiteiros. Em outras palavras, equivalia a dizer que ele
repugnava o voto da população de baixa renda. Então, Gomes virou um elitista
aos olhos do eleitorado.
05-
Driblar a obrigação de provar: Desconfie
ao menos de três formas mais frequentes de evitar a obrigação de oferecer
evidências para sustentar um argumento:
1) considerar
óbvio que não há cabimento em questionar a afirmação. “Ninguém em seu juízo
perfeito pode ser a favor da legalização da maconha.”
2)
O candidato se coloca como a garantia de
correção daquilo que ele mesmo afirma. “Estou convencido de que...”
3)
Elaborar frases em que um comportamento
isolado é generalizado, um traço específico vira um traço comum.
06-
Ignorar a questão concreta: É
discorrer sobre algo paralelo à questão central, sem parecer que se muda de assunto.
“O senhor é contra ou a favor da volta da CPMF?” “Veja bem: A captação de
recursos para a saúde... blá, blá, blá... e fiz mais pela saúde ... blá, blá, blá...
não se trata de onerar a carga tributária... blá, blá, blá...”
07-
Atacar a pergunta:
Quando o governo não tem como defender um ato governamental, reage a um pedido
de CPI pela oposição, dizendo que se trata de manobra eleitoreira. Quando a
oposição quer desviar a atenção sobre uma ação do governo, faz o mesmo.
08-
Tirar o corpo fora: O
orador justifica um erro pela tradição ou por um equívoco similar do rival feito
tempos antes. Para não levar a culpa por algo, argumenta-se que as coisas
sempre foram feitas daquela maneira ou o rival cometeu o mesmo deslize.
09-
Questão complexa: Uma
afirmação prévia vem embutida numa pergunta ou numa afirmação. “A eleitoreira
política social do governo gastou milhões do Tesouro”: o pressuposto é que a
política social é eleitoreira.
10-
Efeito dominó: é concluir
de uma proposição uma série de fatos ou consequências que podem ou não ocorrer.
É um raciocínio levado indevidamente ao extremo, às últimas consequências. “O
álcool e uma dieta pobre também são grandes assassinos. Deve o governo regular
o que vai à nossa mesa? A perseguição à indústria de fumo pode parecer justa,
mas também pode ser o fim da liberdade” (Veja, agosto 2000: 36) (JLF)
Rev. Língua Portuguesa,
set 2014, Ano 9
sábado, 20 de setembro de 2014
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